Estou indo novamente...
Os retornos são humanamente interessantíssimos,
embora penosos.
O ir pode ser um mecanismo possível
uma excitação!
forjada.
também o encontrarei lá
uma novidade velha de mim.
Escrito por Lol às 12h17
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“O que me faz escrever é a espantosa melancolia da vida”
Lúcio Cardoso
Como se adentrando a Casa, uma voz cristalizasse meus pedaços... um a um.. Era a voz, aquela. Até o fim, restará de mim: poeira ou espuma?
Escrito por Lol às 10h45
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Anticogitações
um poema teu
um poema meu
minha filha sabe
jogar.
o que escapa ao coração cheio
a boca manca
a língua sangra
nada feito de ontem
tenho um livro pra terminar
o filho
o desejo
a palavra
já não os confio tão só
ao silêncio.
Escrito por Lol às 14h56
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A noite anterior fora bastante agradável. Umas mulheres reunidas e as relações contemporâneas comprometidas. A novela é ruim, sim. E ria-se do desespero de cada dia. Ah, não sei não, deve ser.. sei lá!! E então descobriram um Caio Fernando Abreu: Linda, uma história horrível! ou qualquer coisa parecida.. o vinho soltara as carnes dos rostos, e a voz arrastada de alguns denunciava a maravilha de poder se embriagar numa terça-feira. Pois, então, não entendo muito bem essas coisas do falo. É tudo uma grande farsa! o amor. E ouço um segundo de lucidez: que sentir segurança que nada, eu preciso é de insegurança para me sentir! Ouço o tempo. Não há interpretação que resolva a “liberdade” de existir. Nem a de sentir, minha querida. A menina dos olhos graúdos me visitou esta noite. Bela e doce, me olhava ora desconfiada, ora completamente entregue. Brincávamos as duas. Não lembro o quanto era bom saber dela.
Escrito por Lol às 09h33
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É com a marca de um resto que sigo inconstante. E, então, por duas vezes os ouço: Um nome de vivo Um nome de morto. De quem se fará o luto?
O que não vinga, resta.
Escrito por Lol às 16h32
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O meu amor tem o cheiro dos instantes.
Escrito por Lol às 17h00
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Não é narrativa, tampouco pós-dramático. O meu amor me diz incompreensões. Faço delas o descaminho para o encontro. Fecho os olhos quando o tempo se desmancha para mim, luz quase inexistente e uma risada aguda acompanha a dança dos desejos: “eu dirijo desejos” – um familiar paradoxo. Também rio. Ah, também sou escorregadia: águas violentas corrente em permanência. O sal que desce de tuas têmporas nada revelam do meu desespero. Serei feita de sal?
Escrito por Lol às 16h58
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Sua cabeça sossega delicadamente entre meus seios. O envolvo em minhas partes incompletas de vida. Estou mansa e óbvia. O envolvo em todas as minhas partes. Então, minha voz se espalha como os braços da medusa – a mesma voracidade – minha voz se impõe como se não fosse minha.
Escrito por Lol às 16h57
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Gosto quando sorri despretensiosamente. Digo ao meu amor que o percebo em sua difícil tarefa de ouvir o meu silêncio. Ele escapa. Como o vô, sentando numa calçada que não é minha, me responde sério: estou escapando, filha! E me fala tantas coisas lindas, e eu o escuto, balanço a cabeça, o confirmo em algum momento, em outros lhe dou um sorriso tímido, vez em quando apoio a mão no rosto e simplesmente o vejo passar pra mim. O assisto como a um filme.
Escrito por Lol às 16h57
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Acompanho sua oralidade, sei de suas digressões, volume e intensidade. Não preciso entender a finalidade de algumas ações – me parecem tão perdidas quanto a cabeça que os ordena. Vai ver não o conheço bem! Muito pouco me diz que posso estar enganada. O meu amor já me é garantia. Sim, esteja certa disso e toque sua vida! Então, posso tocar a vida?
Escrito por Lol às 16h55
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A História
A devassidão de um olho mesmo que supostamente ausente enquanto olhar consagra o campo de vertigem permanente em que fomos depositados.
depois de Bataille.
Escrito por Lol às 08h50
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Uma florzinha linda!
Ontem, quando era despertencida, sonhei. A covardia pura e neutra desses instantes impedia-me de ser livre e entregar-me à totalidade que é a ausência no sono. Assustador! Era uma imagem linda aquela entrega ao nada. Um nada que certamente alguém teria tentado dizer. Uma mulher. Sentia-me extra diante daquelas imagens todas. E pedia lucidamente dormindo que não esquecesse as palavras, suas ordens e poderes. E repetia o poema, aquele verso perfeitamente sonoro. Perfeito em son_h(o). Diminuto: tudo se tornava menos quando acordava.Agora dera pra sentir insônia em dias alternados.Uma inquietação. Um corpo desajustado da paciência típica dos que fingem descanso. Ah, a atitude em levantar!
Escrito por Lol às 21h34
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Sou uma pessoa bem sucedida
qualquer depois de mim será bem melhor que eu.
Escrito por Lol às 11h30
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Egon Schiele
Foram como leves bolhinhas de sabão, daquelas cores brilhantes completamente entregues aos desejos instáveis do vento, que se passaram tantas horas infindáveis nos últimos anos. A mãe sempre que passara pela porta do quarto, parava e beijava com o olhar aquele corpo estirado na cama. Parecia morto, mas em momentos como aquele, o corpo parava o olhar das letras enfileiradas e virava-se em resposta ao delicado gesto maternal. Era quase automático: Ela-mãe olhava o corpo que, em retribuição a tal contentamento quase vergonhoso, dirige-lhe um triste olhar de fundeza. Seguiam-se então os demais percursos. Ela continuava o caminho até o seu próprio quarto. O corpo adentrava um pouco mais na historia que produziam aquelas letras enfileiradas e que pouco depois lhe proporcionaria o sono dos desencantados.
Acho que descobri minha hipocondria.
Escrito por Lol às 11h11
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Lou Andreas-Salomé
O avesso e o direito do tecido
Há de se considerar! - disse Lou Salomé
O direito ao avesso de ter-sido
Eu diria.
Escrito por Lol às 13h42
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