preâmbulo

"A arte é expressão pura, não é discurso. Não é para dialogar. Às vezes, até dialoga, mas não foi escrito com essa intenção. Tudo a priori é um equívoco muito grande e quase certeza de fracasso." (Adélia Prado)
Escrito por Lol às 12h46
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"saporinho" ou psicose no amor
Ame, disse Piaf
sapo ou passarinho.
Escrito por Lol às 10h58
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Reconciliar-se

O dom de ser carolina
Ela bem-dizia que sim,
Amar podia ser mesmo oferecer nada.
Escrito por Lol às 13h14
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da conversa de ontem..
Na contramão do sentir
Só o tempo pode nos oferecer
o entendimento do nada que são as coisas em si.
Escrito por Lol às 08h36
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"Um diálogo não se estabelece assim, do nada. Este surgiu de um vazio quase antigo, senão impróprio ao tempo em que envelhecer já era assustar-se diante das horas do despedaçamento. Poderia chamar-se, mais propriamente: monólogo. Assim mesmo permaneceria a insistente tentativa de ouvir uma outra voz, a de dentro."
Diante da impossibilidade técnica em colocar uma outra coisa, aí está um pedaço de um pedaço meu, inacabado...
Escrito por Lol às 09h22
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Estou indo novamente...
Os retornos são humanamente interessantíssimos,
embora penosos.
O ir pode ser um mecanismo possível
uma excitação!
forjada.
também o encontrarei lá
uma novidade velha de mim.
Escrito por Lol às 12h17
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“O que me faz escrever é a espantosa melancolia da vida”
Lúcio Cardoso
Como se adentrando a Casa, uma voz cristalizasse meus pedaços... um a um.. Era a voz, aquela. Até o fim, restará de mim: poeira ou espuma?
Escrito por Lol às 10h45
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Anticogitações
um poema teu
um poema meu
minha filha sabe
jogar.
o que escapa ao coração cheio
a boca manca
a língua sangra
nada feito de ontem
tenho um livro pra terminar
o filho
o desejo
a palavra
já não os confio tão só
ao silêncio.
Escrito por Lol às 14h56
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A noite anterior fora bastante agradável. Umas mulheres reunidas e as relações contemporâneas comprometidas. A novela é ruim, sim. E ria-se do desespero de cada dia. Ah, não sei não, deve ser.. sei lá!! E então descobriram um Caio Fernando Abreu: Linda, uma história horrível! ou qualquer coisa parecida.. o vinho soltara as carnes dos rostos, e a voz arrastada de alguns denunciava a maravilha de poder se embriagar numa terça-feira. Pois, então, não entendo muito bem essas coisas do falo. É tudo uma grande farsa! o amor. E ouço um segundo de lucidez: que sentir segurança que nada, eu preciso é de insegurança para me sentir! Ouço o tempo. Não há interpretação que resolva a “liberdade” de existir. Nem a de sentir, minha querida. A menina dos olhos graúdos me visitou esta noite. Bela e doce, me olhava ora desconfiada, ora completamente entregue. Brincávamos as duas. Não lembro o quanto era bom saber dela.
Escrito por Lol às 09h33
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É com a marca de um resto que sigo inconstante. E, então, por duas vezes os ouço: Um nome de vivo Um nome de morto. De quem se fará o luto?
O que não vinga, resta.
Escrito por Lol às 16h32
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O meu amor tem o cheiro dos instantes.
Escrito por Lol às 17h00
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Não é narrativa, tampouco pós-dramático. O meu amor me diz incompreensões. Faço delas o descaminho para o encontro. Fecho os olhos quando o tempo se desmancha para mim, luz quase inexistente e uma risada aguda acompanha a dança dos desejos: “eu dirijo desejos” – um familiar paradoxo. Também rio. Ah, também sou escorregadia: águas violentas corrente em permanência. O sal que desce de tuas têmporas nada revelam do meu desespero. Serei feita de sal?
Escrito por Lol às 16h58
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Sua cabeça sossega delicadamente entre meus seios. O envolvo em minhas partes incompletas de vida. Estou mansa e óbvia. O envolvo em todas as minhas partes. Então, minha voz se espalha como os braços da medusa – a mesma voracidade – minha voz se impõe como se não fosse minha.
Escrito por Lol às 16h57
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Gosto quando sorri despretensiosamente. Digo ao meu amor que o percebo em sua difícil tarefa de ouvir o meu silêncio. Ele escapa. Como o vô, sentando numa calçada que não é minha, me responde sério: estou escapando, filha! E me fala tantas coisas lindas, e eu o escuto, balanço a cabeça, o confirmo em algum momento, em outros lhe dou um sorriso tímido, vez em quando apoio a mão no rosto e simplesmente o vejo passar pra mim. O assisto como a um filme.
Escrito por Lol às 16h57
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Acompanho sua oralidade, sei de suas digressões, volume e intensidade. Não preciso entender a finalidade de algumas ações – me parecem tão perdidas quanto a cabeça que os ordena. Vai ver não o conheço bem! Muito pouco me diz que posso estar enganada. O meu amor já me é garantia. Sim, esteja certa disso e toque sua vida! Então, posso tocar a vida?
Escrito por Lol às 16h55
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